Antes da Unicorns Zine existir como plataforma, já existia um olhar.
Em 2018, o fotógrafo Olavo Martins teve um de seus trabalhos publicados na MMSCENE — uma das plataformas internacionais dedicadas à fotografia de moda masculina e novos talentos visuais.
O editorial, protagonizado pelo modelo Kaio Henrique, foi desenvolvido dentro de uma linguagem direta, limpa e sensorial. Sem excesso de narrativa, sem distrações. Corpo, luz e intenção.

Mais do que um ensaio, era um exercício de linguagem.
Na época, o trabalho foi apresentado como uma atualização de portfólio — um formato comum dentro do circuito internacional — onde fotógrafos constroem séries com foco em estética, casting e styling.
Mas olhando hoje, com distanciamento, fica evidente que ali já existia um código.
Um interesse claro pelo masculino como imagem.
Um cuidado com textura de pele, com presença, com silêncio.
Elementos que hoje aparecem com força nos editoriais da Unicorns Zine.
O styling, assinado por Leo Kazakiwz e Danielle Melo, e o grooming de Gabi Sanchez, ajudam a construir uma estética que não depende de excesso — ela funciona justamente na contenção.
E talvez seja exatamente isso que conecta passado e presente.
A fotografia como construção de desejo.
Mas também como construção de identidade.

Se hoje a Unicorns Zine propõe um olhar mais autoral, mais íntimo e mais político sobre o homem — esse editorial mostra que essa direção não surgiu do nada.
Ela já estava sendo construída.
Antes do discurso.
Antes da plataforma.
Antes do nome.

