Em uma cidade do tamanho de São Paulo, onde milhões de pessoas dividem o mesmo espaço enquanto vivem rotinas cada vez mais aceleradas e individualizadas, encontrar pertencimento virou quase um ato de resistência. E foi justamente sobre isso que a revista VEJA São Paulo falou em uma matéria recente sobre coletivos que ajudam pessoas a criarem conexões reais na capital. Entre os destaques da reportagem aparece o Unicorns Brazil, citado como o maior grupo poliesportivo LGBTQIA+ de São Paulo.
A publicação aborda um fenômeno cada vez mais evidente nas grandes cidades: a dificuldade de criar vínculos verdadeiros fora das redes sociais. Em resposta a isso, grupos culturais, esportivos e comunitários vêm ocupando espaços da cidade oferecendo algo que vai muito além da atividade em si. Não é apenas sobre jogar futebol, correr, fazer yoga ou vôlei. É sobre encontrar um lugar onde você não precise se adaptar para existir.
Na matéria, o advogado e fundador do Unicorns, Filipe Marquezin, explica que muitas pessoas LGBTQIA+ cresceram afastadas do esporte por exclusão, bullying ou falta de acolhimento dentro das escolas e ambientes tradicionais. Por isso, o projeto passou a desenvolver modalidades voltadas inclusive para iniciantes, criando um espaço seguro para quem nunca teve oportunidade — ou coragem — de praticar esportes antes.
Hoje, o Unicorns reúne cerca de 560 alunos e oferece modalidades como futebol, vôlei, funcional, yoga, jiu-jítsu e judô, além de campeonatos e eventos que transformam o esporte em ferramenta de socialização e construção de comunidade.
Mais do que um grupo esportivo, o reconhecimento da VEJA simboliza algo maior: a consolidação de iniciativas LGBTQIA+ como estruturas reais de apoio emocional, convivência e permanência na cidade. Em tempos onde a hiperconexão digital muitas vezes intensifica a sensação de isolamento, projetos como o Unicorns mostram que comunidade ainda se constrói no encontro, na troca e na presença.
Existe algo muito simbólico no fato de um coletivo LGBTQIA+ aparecer ao lado de outros movimentos urbanos que combatem a solidão contemporânea. Durante muito tempo, a população queer precisou criar seus próprios espaços de sobrevivência afetiva. Hoje, esses espaços passam também a ser reconhecidos como modelos de convivência para a própria cidade.
São Paulo sempre foi conhecida por oferecer infinitas possibilidades. Mas talvez o verdadeiro luxo da cidade atualmente seja encontrar pessoas com quem dividir a experiência de estar nela.
A matéria completa da VEJA São Paulo reúne diferentes iniciativas que transformam esporte, cultura e lazer em redes de apoio, amizade e pertencimento. Entre elas, o Unicorns reafirma seu papel como uma das comunidades LGBTQIA+ mais relevantes da cidade hoje.

