O DJ set de Romy no Zig não foi exatamente sobre construir uma narrativa longa de pista. Foi sobre condensar uma identidade sonora já conhecida pelo público em uma hora de catarse contínua. E talvez esse tenha sido justamente o ponto mais inteligente da noite.
Existe uma expectativa muito específica em torno de Romy desde o Boiler Room que virou praticamente um documento de identidade da artista fora do universo do The xx. Muita gente conheceu sua faceta clubber ali, melancólica, emocional, elegante e profundamente conectada à cultura dance. O set no Zig parecia partir exatamente dessa memória coletiva, mas atualizado para o presente.
Ela não tentou recriar o Boiler Room. Ela reinterpretou e o atualizou.
O resultado foi um compilado emocional acelerado, direto e extremamente consciente do contexto onde estava inserido. Em vez de trabalhar longas construções, algo típico de sets maiores, Romy escolheu manter a energia no alto praticamente o tempo inteiro. E faz sentido.
Por isso o set começou lá em cima e permaneceu ali.
O mais interessante talvez seja perceber como Romy conseguiu atualizar sua linguagem sem abandonar aquilo que tornou sua estética tão forte. Ela trouxe artistas contemporâneos, referências mais recentes e uma dinâmica mais acelerada, mas preservando a melancolia pop, o sentimentalismo clubber e a elegância emocional que sempre definiram seu som.
No fim, o set no Zig funcionou menos como uma jornada linear e mais como uma coleção de ápices. E talvez fosse exatamente isso que a maior parte da pista queria viver ali.

