SHAKIRA NO BRASIL: FLOP OU SÓ FORA DA BOLHA?

Nos últimos anos, grandes shows internacionais no Brasil deixaram de ser apenas eventos musicais para se tornarem fenômenos digitais. Basta lembrar o que aconteceu com Madonna em Copacabana ou com Lady Gaga em suas passagens pelo país: timelines dominadas, memes virais, expectativa inflada e uma sensação coletiva de “evento histórico”.

Agora, com a chegada de Shakira, a percepção parece diferente. Menos barulho nas redes, menos euforia visível — e, para alguns, a palavra já surge sem cerimônia: “fiasco”.

Mas será mesmo?

A comparação direta ignora um ponto central: estamos cada vez mais condicionados a medir relevância pelo volume de engajamento digital. Curtidas, compartilhamentos, trending topics — esses números viraram uma régua emocional que define o que é sucesso ou fracasso antes mesmo do evento acontecer.

Só que essa régua é distorcida.

Vivemos dentro de bolhas. Algoritmos entregam exatamente o tipo de conteúdo que já consumimos, reforçando a sensação de que “ninguém está falando sobre isso” — quando, na prática, outras audiências podem estar completamente mobilizadas. O silêncio na sua timeline não significa ausência de impacto no mundo real.

Shakira, ao contrário do que a frieza dos números pode sugerir, carrega uma trajetória sólida no Brasil. Hits que atravessam gerações, presença constante na cultura pop e uma base fiel que não necessariamente performa hype nas redes, mas comparece — e lota.

Existe também uma diferença de posicionamento. Madonna e Lady Gaga são artistas que frequentemente transformam seus shows em atos culturais, políticos e visuais altamente compartilháveis. Shakira, por outro lado, se ancora mais na música, na performance e na conexão direta com o público. Isso não gera o mesmo tipo de viralização — mas não diminui a potência do espetáculo.

A questão talvez seja outra: desde quando o sucesso de um evento passou a ser decidido antes dele acontecer?

Reduzir a grandiosidade de um show à sua performance digital é ignorar o que realmente importa — a experiência ao vivo, o encontro coletivo, o impacto emocional de quem está ali.

No fim, o que chamam de “fiasco” pode ser apenas um evento que não pertence à mesma lógica de hype imediato. E talvez isso diga mais sobre o nosso consumo de cultura do que sobre a própria artista.

Descubra mais sobre UNICORNS ZINE

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo