LARISSA ABRIU O SHOW DO ABEL OU FOI ANITTA QUE ABRIU PARA O THE WEEKND?

Entre persona e personagem, o que se viu foi um jogo de narrativas em que palco, branding e presença disputam o protagonismo tanto quanto a música.


O encontro entre Anitta e The Weeknd não foi apenas uma abertura de show. Foi um exercício de percepção pública. De um lado, Larissa de Macedo Machado, a estrategista, a empresária, a mente que construiu uma das carreiras mais calculadas do pop contemporâneo brasileiro. Do outro, Anitta, o produto global, a performer moldada para ocupar grandes palcos e dialogar com audiências internacionais. E no meio disso, Abel Tesfaye, que também não é só The Weeknd, mas um personagem cuidadosamente construído para habitar uma estética própria, quase cinematográfica.

A pergunta que fica não é sobre ordem de apresentação. É sobre presença.

No palco, Anitta entrega o que se espera de uma artista que entende o peso de uma oportunidade dessas. Segurança, domínio técnico, repertório pensado para impacto imediato. Há um entendimento claro de que abrir um show desse porte não é sobre aprofundamento artístico, mas sobre captura. E ela captura. O público responde, mesmo que parte dele ainda esteja em estado de espera, aguardando o headliner.

Mas é justamente aí que o jogo fica interessante.

Porque enquanto Anitta performa, Larissa está estrategicamente posicionada. Cada movimento, cada escolha de setlist, cada interação parece calculada para reforçar sua imagem global. Não há excesso. Não há erro. Mas também há uma certa previsibilidade. É uma performance eficiente, quase cirúrgica.

Já The Weeknd opera em outro registro. Seu show não depende apenas da música, mas de atmosfera. Luz, narrativa, construção de tensão. Ele não entra para entreter rapidamente. Ele entra para absorver o público em um universo próprio. E isso cria um contraste inevitável: enquanto Anitta precisa conquistar em minutos, Abel pode se dar ao luxo de desenvolver.

E talvez seja exatamente nesse contraste que a provocação do título ganha força.

Larissa abriu o show do Abel porque existe uma inteligência estratégica que entende o lugar dela naquele contexto. Mas também foi Anitta que abriu para The Weeknd, porque no fim das contas, dentro da lógica da indústria global, ela ainda ocupa esse espaço de transição, de ponte entre mercados.

E não há demérito nisso. Pelo contrário.

O que se viu foi uma artista brasileira operando com plena consciência de sua posição e utilizando isso a seu favor. Se há algo que diferencia Anitta hoje não é apenas sua capacidade de performar, mas de se posicionar. Ela não disputa o mesmo território que Abel. Ela constrói o dela, ainda que, por enquanto, em palcos que também são dele.

No fim, a pergunta permanece menos como dúvida e mais como síntese:

Não importa se foi Larissa abrindo o show do Abel ou Anitta abrindo para The Weeknd. O que importa é que ambas existem ao mesmo tempo — e essa dualidade é, talvez, o maior ativo da artista.

Perfeito, remover travessão

LARISSA ABRIU O SHOW DO ABEL OU FOI ANITTA QUE ABRIU PARA O THE WEEKND?

Entre persona e personagem, o que se viu foi um jogo de narrativas em que palco, branding e presença disputam o protagonismo tanto quanto a música.

O encontro entre Anitta e The Weeknd não foi apenas uma abertura de show. Foi um exercício de percepção pública. De um lado, Larissa de Macedo Machado, a estrategista, a empresária, a mente que construiu uma das carreiras mais calculadas do pop contemporâneo brasileiro. Do outro, Anitta, o produto global, a performer moldada para ocupar grandes palcos e dialogar com audiências internacionais. E no meio disso, Abel Tesfaye, que também não é só The Weeknd, mas um personagem cuidadosamente construído para habitar uma estética própria, quase cinematográfica.

A pergunta que fica não é sobre ordem de apresentação. É sobre presença.

No palco, Anitta entrega o que se espera de uma artista que entende o peso de uma oportunidade dessas. Segurança, domínio técnico, repertório pensado para impacto imediato. Há um entendimento claro de que abrir um show desse porte não é sobre aprofundamento artístico, mas sobre captura. E ela captura. O público responde, mesmo que parte dele ainda esteja em estado de espera, aguardando o headliner.

Mas é justamente aí que o jogo fica interessante.

Porque enquanto Anitta performa, Larissa está estrategicamente posicionada. Cada movimento, cada escolha de setlist, cada interação parece calculada para reforçar sua imagem global. Não há excesso. Não há erro. Mas também há uma certa previsibilidade. É uma performance eficiente, quase cirúrgica.

Já The Weeknd opera em outro registro. Seu show não depende apenas da música, mas de atmosfera. Luz, narrativa, construção de tensão. Ele não entra para entreter rapidamente. Ele entra para absorver o público em um universo próprio. E isso cria um contraste inevitável: enquanto Anitta precisa conquistar em minutos, Abel pode se dar ao luxo de desenvolver.

E talvez seja exatamente nesse contraste que a provocação do título ganha força.

Larissa abriu o show do Abel porque existe uma inteligência estratégica que entende o lugar dela naquele contexto. Mas também foi Anitta que abriu para The Weeknd, porque no fim das contas, dentro da lógica da indústria global, ela ainda ocupa esse espaço de transição, de ponte entre mercados.

E não há demérito nisso. Pelo contrário.

O que se viu foi uma artista brasileira operando com plena consciência de sua posição e utilizando isso a seu favor. Se há algo que diferencia Anitta hoje não é apenas sua capacidade de performar, mas de se posicionar. Ela não disputa o mesmo território que Abel. Ela constrói o dela, ainda que, por enquanto, em palcos que também são dele.

No fim, a pergunta permanece menos como dúvida e mais como síntese.

Não importa se foi Larissa abrindo o show do Abel ou Anitta abrindo para The Weeknd. O que importa é que ambas existem ao mesmo tempo e essa dualidade é, talvez, o maior ativo da artista.

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