Antes da PEC, antes dos debates no Congresso e antes do tema dominar as redes sociais, existia um trabalhador exausto gravando vídeos sobre a própria rotina atrás de um balcão.
Foi assim que Rick Azevedo começou a transformar o fim da escala 6×1 em uma das maiores discussões sociais do Brasil recente.
Negro, gay, periférico e ex-balconista de farmácia, Rick criou o Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), iniciativa que ajudou a levar milhões de brasileiros para uma conversa sobre burnout, saúde mental e direito ao descanso.
O que começou como um desabafo nas redes rapidamente virou mobilização nacional. Ao compartilhar a própria experiência com jornadas exaustivas e baixa qualidade de vida, Rick encontrou identificação imediata em trabalhadores que também viviam presos a uma lógica onde descansar parecia privilégio.
O crescimento do movimento acabou ultrapassando as redes sociais e chegou à política institucional. Em 2024, Rick foi eleito vereador no Rio de Janeiro com mais de 29 mil votos. Hoje, também preside a Comissão de Trabalho e Emprego da Câmara Municipal e já aparece como pré-candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro.
A força do VAT ajudou a impulsionar o debate nacional sobre redução de jornada e qualidade de vida, influenciando diretamente a pressão popular em torno das PECs que discutem o fim da escala 6×1 e novos modelos de trabalho no Brasil.
Mas talvez a importância de Rick vá além da política.
Sua trajetória também simboliza uma mudança importante na forma como trabalhadores periféricos, negros e LGBTQIA+ passaram a ocupar debates sociais no Brasil contemporâneo. Em vez de transformar suas identidades em slogan, Rick construiu sua comunicação a partir de uma experiência compartilhada: o cansaço.
E talvez tenha sido exatamente isso que tornou sua voz tão poderosa.
Porque, no fundo, milhões de pessoas entenderam imediatamente o que ele estava dizendo.
Afinal, quantas vidas hoje estão sendo consumidas apenas para sobreviver ao trabalho?
Rick Azevedo ajudou a transformar essa pergunta em pauta nacional. E independentemente dos próximos passos da PEC, seu nome já faz parte da história recente das discussões sobre trabalho, dignidade e saúde mental no Brasil.

