Professor, artista, ativista e pré-candidato a deputado estadual pelo PT quer transformar pertencimento em participação política
Entre quadras esportivas, salas de aula, palcos e espaços de militância, Rodrigo Mar construiu uma trajetória marcada pela defesa dos direitos humanos, da educação, da cultura e da população LGBTQIAPN+. Agora, o integrante do Unicorns Brazil dá um novo passo ao se apresentar como pré-candidato a deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo.
Criado na periferia e filho de uma família ligada à militância política, Rodrigo afirma que sua relação com a política começou muito antes da disputa eleitoral.
“Tudo é política. Crescer na periferia, com consciência de classe, faz você entender desde cedo que as decisões políticas impactam diretamente a vida das pessoas.”
O papel do Unicorns na construção de pertencimento
Integrante do Unicorns Brazil, Rodrigo destaca a importância do esporte e da convivência comunitária na construção da sua visão de mundo.
Para ele, espaços como o Unicorns vão muito além da prática esportiva: são ambientes de acolhimento, construção de autoestima e fortalecimento da identidade LGBTQIAPN+.
“O Unicorns sempre foi um local de descanso e descompressão onde consigo ser eu mesmo diante desse mundo tão doído para pessoas LGBT.”
Ao longo dos anos, o coletivo se tornou uma das maiores comunidades esportivas LGBTQIA+ do Brasil, reunindo centenas de pessoas em torno do esporte, da saúde e da convivência.
Representatividade que vai além do discurso
Rodrigo acredita que a presença de pessoas LGBTQIAPN+ nos espaços de poder ainda é insuficiente, mas vê avanços importantes conquistados pela mobilização coletiva.
Segundo ele, o principal erro da política ao dialogar com a comunidade LGBTQIAPN+ é tentar falar por ela, em vez de abrir espaço para que as próprias pessoas ocupem posições de liderança.
“Nós podemos, e devemos, falar por nós mesmos.”
Para o pré-candidato, representatividade é importante, mas precisa estar acompanhada de planejamento, políticas públicas e resultados concretos.
Esporte como ferramenta de transformação social
Ao falar sobre o Unicorns, Rodrigo é categórico ao afirmar que o esporte tem papel político.
Para ele, a convivência em ambientes seguros permite o desenvolvimento do pensamento crítico, fortalece vínculos comunitários e combate o isolamento que afeta tantas pessoas LGBTQIAPN+.
“O esporte cria pertencimento. E pertencimento salva vidas.”
A declaração ganha ainda mais peso diante dos números da violência contra a população LGBTQIAPN+ no Brasil, tema que aparece diversas vezes em sua fala.
Cultura, periferia e políticas públicas
Professor e artista, Rodrigo defende que cultura, educação e esporte não podem ser tratados como temas secundários.
Ele critica o que considera abandono de políticas públicas voltadas à juventude, à cultura e à diversidade, além de apontar a necessidade de ampliar investimentos em iniciativas comunitárias e periféricas.
Para ele, fortalecer projetos independentes passa necessariamente pela eleição de representantes comprometidos com essas pautas.
Uma candidatura baseada na escuta
Durante a pré-campanha, Rodrigo afirma que tem percorrido diferentes regiões de São Paulo ouvindo moradores, lideranças comunitárias e movimentos sociais.
Seu objetivo é aproximar a política institucional de pessoas que perderam a confiança no processo político.
“A política ainda é o melhor caminho para a vida das pessoas melhorarem.”
O legado que pretende construir
Mais do que uma disputa eleitoral, Rodrigo define sua candidatura como um projeto coletivo.
Ao ser questionado sobre o legado que deseja deixar, sua resposta passa pela organização comunitária e pela participação popular.
“Mandatos passam. O que permanece são as pessoas organizadas, conscientes dos seus direitos e capazes de transformar a própria realidade.”
Entre esporte, cultura, educação e ativismo, Rodrigo Mar busca levar para a política institucional uma trajetória construída dentro das comunidades que ajudaram a formar sua visão de mundo. E, para quem acompanha sua caminhada dentro do Unicorns Brazil, essa candidatura surge como mais um capítulo de uma história marcada pelo pertencimento, pela representatividade e pela construção coletiva.

